
Dizem estudos e pesquisas que nossos jovens andam mais tristes.
O foco da exposição sua e de tudo nas telas tem deixado a Geração Z desnorteada.
Os empregos que aparecem não são nada atrativos, os ganhos também não.
Vem a solidão do quarto, a tela repetindo ostentações de influenciadores, de artistas, de modismos, de consumo.
Pouco deste mundo glamoroso das redes está ao alcance do ser normal e mortal.
E LÁ VEM AS ELEIÇÕES
Jovens
O número de jovens entre 16 e 24 anos filiados a partidos políticos no Brasil caiu aproximadamente 56% na última década, atingindo o menor índice histórico. Apenas 1% do eleitorado dessa faixa etária possui filiação partidária, com a militância ativa sendo substituída pelo ativismo digital e por debates nas redes sociais.
Vamos repetir: caiu meteoricamente o interesse dos jovens na política, em especial nos partidos.
Aqui, há a demonstração cabal da incapacidade de todos os partidos em se reciclar, de buscar atingir as pessoas em todos os seus ciclos de vida.
Pessoas Idosas
É crescente o número de eleitores de 70 anos e mais no Brasil. Vários artigos têm sido publicados. Mas poucos conseguem mostrar como agem ou não agem os partidos. Vimos que em relação aos jovens os partidos não tem apego
O aumento do eleitorado grisalho e feminino impõe aos candidatos a necessidade de ajustar suas agendas, migrando de promessas genéricas para políticas públicas sólidas.
Conseguirão?
Tenho minhas dúvidas, pois ao fazer parte do Coletivo Metamorfose da vida – www.metamorfosedavida.com.br – como da Associação Movimento Sociedade Sem Idadismo – www.idadismo.net – vejo a falta de escuta, no máximo ouvem algo que a gente fala e expressa, fica a vã promessa de priorizar.
Atentemos para o crescimento do eleitorado:
1) aumento da proporção de eleitores idosos;
2) aumento da força absoluta e relativa das mulheres. Portanto, aumenta o poder de voto do eleitorado grisalho e feminino.
O número de idosos de 60 anos e mais era 9,5 milhões em 1992 (representando 10,5% do eleitorado) e subiu para 34,2 milhões em 2024 (representando 21,9% do total).
O número de eleitores 70+ era de 3,4 milhões de pessoas em 1992 (representando 3,8% do total), passando para 15,2 milhões em 2024 (representando 9,8% do total). Tudo indica que em 2026 os idosos de 70+ atingirão mais de 10% do eleitorado se aproximando da proporção de jovens de 16-24 anos.
PARA REFLETIR
Temos dito à exaustão que o envelhecimento no Brasil está a merecer mais atenção da sociedade, a começar pelos políticos de plantão, pelos partidos e pelos governos.
Tal qual muitos filhos, ninguém se preparou para este (nem tão novo) fenômeno. Ele existe. Cada vez mais cabeças prateadas andam pelas ruas.
Para aqueles que se cuidaram mais, que têm melhor saúde e bem estar, a vida ativa é plena: do amor, passando ao convívio, chega ao direito ao voto. Estas pessoas idosas não querem desperdiçar nada, muito menos seus direitos.
Há sim uma parcela que está muito à parte da sociedade viva, por doenças, incapacidades, por falta de recursos, por depressão e outras comorbidades.
Cabe atingir a todos, com um olhar especial aos esquecidos, aqueles que a sociedade descarta.
Por isso, a Associação Sociedade sem Idadismo lançou recentemente um Manifesto que está chegando às autoridades.
Em recente artigo, José Eustáquio Diniz Alves, destacou:
“Algumas pesquisas de opinião pública estão indicando uma leve preferência dos jovens pelos candidatos de direita e uma preferência dos idosos pelos candidatos de esquerda. Assim, a questão etária pode ser decisiva nas eleições presidenciais de 2026.”
Embora o voto para os maiores de 70 anos seja facultativo, o peso estatístico e a maturidade cívica desse grupo garantem que o futuro da democracia brasileira passe, inevitavelmente, pela experiência e pelas mãos daqueles que continuam a exercer sua cidadania para além da obrigatoriedade legal.
É o que vimos do artigo deste autor e de outros que pensam o fenômeno do envelhecimento no país, o envelhecer com atitude, com propósitos.
Que não falhemos desta vez.
Adeli Sell é professor, escritor e bacharel em Direito.
