O Movimento Sociedade Sem Idadismo e o Coletivo Metamorfose da Vida, coletivos dedicados ao combate aos estereótipos, preconceitos e discriminações baseados na idade, bem como à defesa do envelhecimento saudável e com dignidade, vêm a público manifestar seu apoio irrestrito à iniciativa de criação do Ministério da Longevidade no Governo Federal, em apoio às diversas entidades da sociedade civil que assim têm se manifestado.
O Brasil atravessa a transformação demográfica mais rápida de sua história. As projeções apontam que, nas próximas décadas, as pessoas com 60 anos ou mais representarão uma parcela expressiva e sem precedentes da nossa sociedade. No entanto, o ritmo com que a população envelhece não tem sido acompanhado pelo desenvolvimento de políticas públicas com a abrangência, o orçamento e a centralidade necessários.
A institucionalização do Ministério da Longevidade não é um mero rearranjo administrativo; é uma conquista civilizatória e uma urgência social.
Razões que Justificam a Criação do Ministério1. Enfrentamento Estrutural ao Idadismo Institucional e Cultural
O idadismo está entranhado na arquitetura social, no mercado de trabalho e no atendimento público. Ter um ministério dedicado significa colocar o combate ao preconceito de idade como diretriz transversal do Estado brasileiro, fortalecendo a conscientização social, a fiscalização de direitos e a superação dos estigmas associados ao envelhecimento.
2. Transversalidade e Articulação Interministerial
Hoje, as demandas da pessoa idosa estão fragmentadas entre a Saúde, a Assistência Social, os Direitos Humanos e a Previdência Social. Um ministério próprio terá o poder político e institucional para articular e coordenar ações intersetoriais, garantindo que o envelhecimento seja tratado com visão sistêmica (saúde preventiva, cuidados contínuos, acessibilidade urbana, segurança financeira e cidadania).
3. Autonomia Financeira e Orçamento Próprio
Sem uma pasta específica, os programas voltados às pessoas idosas frequentemente disputam recursos com outras demandas urgentes. A criação do ministério assegura rubricas orçamentárias próprias e vinculadas, viabilizando investimentos de longo prazo em infraestrutura de cuidados, redes de apoio domiciliar (como a expansão do PADI Brasil) e inclusão digital.
4. Proteção à Vulnerabilidade Social e Interseccionalidade
O envelhecer no Brasil é atravessado por desigualdades profundas de renda, gênero, raça e território. A associação perversa entre idadismo e pobreza expõe milhões de idosos à negligência e à violência familiar e institucional. Um ministério dedicado permitirá elaborar políticas focalizadas para as populações mais vulneráveis, assegurando envelhecimento com dignidade e autonomia.
5. Inclusão Produtiva e Valorização da Experiência
Envelhecer deve ser compreendido como uma conquista e um ativo para a sociedade, e não como um fardo econômico. A nova pasta poderá fomentar políticas públicas que estimulem o aprendizado ao longo da vida, reincorporando o saber e a experiência das pessoas idosas no mercado de trabalho e na vida comunitária de forma produtiva e respeitosa.
6. Valorização da intergeracionalidade
A intergeracionalidade desempenha um papel fundamental na ressignificação do envelhecimento, atuando como uma ponte transformadora contra o idadismo e a solidão na velhice. Ao promover a troca contínua de experiências, saberes e afetos entre pessoas de diferentes idades, ela permite que os idosos mantenham um papel ativo, reconhecido e valorizado na sociedade, fortalecendo seu senso de pertencimento e propósito de vida. Ao mesmo tempo, o convívio intergeracional enriquece as gerações mais jovens, estimulando a empatia, o respeito à memória histórica e uma percepção mais positiva e realista sobre o próprio processo de envelhecer. Assim, o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para cultivar laços entre idades é essencial para construir uma comunidade mais inclusiva, empática e sustentável para todas as fases da vida.
Um Chamado à Ação
Não temos tempo a perder. Preparar o país para o envelhecimento é uma responsabilidade do presente para com o futuro de todas as gerações. Os jovens e adultos de hoje serão as pessoas idosas de amanhã.
O Movimento Sociedade Sem Idadismo e o Coletivo Metamorfose da Vida concitam o Congresso Nacional, o Poder Executivo e a sociedade civil a se unirem em prol da efetivação do Ministério da Longevidade, reafirmando nosso compromisso com uma sociedade justa, inclusiva e livre de qualquer discriminação etária.
Pelo direito de envelhecer com dignidade, respeito e cidadania plena!
Movimento Sociedade Sem Idadismo e Coletivo Metamorfose da Vida
Lançamento
Manual de Gestão Emocional e Sentido da Vida
O Coletivo Metamorfose da Vida lança uma série de manuais voltados para reflexões e caminhos possíveis para reorganizar, aos poucos, a forma como vive o seu dia.
“Um percurso guiado para compreender o vazio emocional e, aos poucos, reencontrar sentido na forma de viver.”
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Publicações
Conheça os livros já publicados pelo Coletivo
A série “Metamorfose da Vida” implica uma criação coletiva e colaborativa que reúne diferentes perspectivas e experiênias para acrescentar os seus conhecimentos sobre o tema do envelhecimento. Esta abordagem coletiva procura uma maior compreensão desta fase da vida, abordando o preconceito de idade e trabalhando em direção a políticas públicas para as pessoas idosas. O coletivo vem preencher uma lacuna que aborda a crescente necessidade de foco nas pessoas idosas e suas complexidades na sociedade atual, principalmente nos aspectos da complexidade da existência humana. Considera aspectos biológicos, psicológicos, sociais, econômicos e culturais. Desconstrói a visão negativa e estereotipada do envelhecimento. Apresenta a velhice como um período de crescimento pessoal, liberdade, novas descobertas e prazer na vida. Resgata a dignidade e o valor das pessoas acima de 60 anos. Aborda temas práticos e reflexivos, com contribuições de diversos especialistas. E tem um olhar transgressor sobre o envelhecimento.
Metamorfose da Vida
Este livro explora o envelhecimento sob diversas perspectivas, focando na saúde e bem-estar da população idosa. Aborda desde práticas integrativas e complementares (PICs) até a proteção de dados pessoais e direitos legais. O texto também discute a importância do planejamento financeiro, da atividade física, e do enfrentamento de questões como violência e maus tratos contra idosos. Adicionalmente, investiga aspectos emocionais, relacionamentos, e a necessidade de uma abordagem profissional e ética no cuidado com os idosos. Organizado por Claire Abreu e Adeli Sell, o livro reúne contribuições de vários autores, oferecendo uma visão multifacetada sobre como viver e envelhecer com qualidade e dignidade.
Perdi Tudo, E Agora?
Este livro aborda o impacto das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, com foco na população idosa. Ele explora a saúde mental dos idosos em calamidades, o resgate em situações de emergência e a adaptação de abrigos para atender às suas necessidades. O texto discute a importância de políticas públicas e assistências básicas, incluindo suporte financeiro, acessibilidade e cuidados de saúde. Através de crônicas e relatos, o livro oferece perspectivas sobre as perdas emocionais e materiais enfrentadas pelos idosos. Há também um apelo para a adoção e cuidado com os idosos, buscando garantir sua dignidade e qualidade de vida.
Metamorfose II A Arte de Envelhecer
Este livro explora as múltiplas facetas do envelhecimento. Aborda desde a saúde física e mental, incluindo temas como Alzheimer e a importância da atividade física, até aspectos sociais como o combate ao idadismo e a importância dos direitos do idoso. Os autores examinam a sexualidade na terceira idade, moradias compartilhadas, e a necessidade de cidades resilientes para a população idosa. Relatos pessoais oferecem perspectivas íntimas sobre o amor, a perda, e a adaptação à velhice. Além disso, discute-se a importância da educação financeira e do planejamento para um envelhecimento seguro e autônomo. Uma análise junguiana e releituras de contos de fadas adicionam profundidade à compreensão dos desafios emocionais e existenciais enfrentados pelos idosos.
Metamorfose III Envelhecer com Propósito, Viver com Sabedoria
A coletânea “Metamorfose da Vida – Envelhecer com Propósito, Viver com Sabedoria” é o terceiro volume de um projeto que reúne contribuições e orientações práticas de pessoas que estudam e lidam com a realidade da pessoa idosa, distanciando-se de visões academicistas ou de autoajuda. O livro aborda quatro grandes áreas: Saúde, bem-estar e desafios físicos e mentais, Relações humanas, afeto e conectividade, Diversidade, Comunidades e Inclusão, e Outras reflexões e perspectivas, ousando levantar temas considerados tabus, como sexualidade na terceira idade e solidão, além de tratar da inclusão digital, a premência de mais geriatras, e os cuidados paliativos. Estes escritos pretendem provocar um “estalo”, inspirando a transformação e a mudança na forma como a sociedade e os indivíduos percebem e vivenciam o envelhecimento, reforçando o foco na dignidade, autonomia e bem-estar em todas as fases da vida.
O idadismo se refere a estereótipos (como pensamos), preconceitos (como nos sentimos) e discriminação (como agimos) direcionadas às pessoas com base na idade que têm. O idadismo pode ser institucional, interpessoal ou contra si próprio. O idadismo institucional se refere às leis, regras, normas sociais, políticas e práticas institucionais que restringem injustamente as oportunidades e prejudicam sistematicamente indivíduos em função da idade deles. O idadismo interpessoal surge em interações entre dois ou mais indivíduos, enquanto o direcionado contra si próprio ocorre quando o idadismo é internalizado pela pessoa e usado contra ela mesma.