Hoje quero compartilhar o que venho vivenciando nas últimas semanas!

Desde metade de maio, estou vivendo uma situação que me fez enxergar de perto algo que muitas famílias enfrentam todos os dias: o descaso com os idosos.

Tudo começou quando fui tentar retirar a pensão que minha mãe recebeu após o falecimento de pai.

Pensei que seria um procedimento simples. Não foi.

Na carta confirmando o benefício, descobri que a instituição para pagamento era diferente daquela escolhida quando do requerimento. Fui ao banco, onde informaram de que precisava voltar em outra data, pois ainda que o INSS afirmasse ter creditado o valor, alegaram que precisava de uma “lista” dos beneficiários.

Até aí, tudo bem.

Voltei na data indicada e, após mais uma hora na fila, o que já é um abuso, recebi uma nova informação: o benefício já estava disponível, mas o saque só poderia ser feito no dia 9 de junho. Por qual motivo: não se sabe, não foi explicado.

O que me deixou indignada foi ouvir que, apesar de não poder retirar um dinheiro que já era dela, eu poderia contratar um financiamento imediatamente.

Ou seja: acessar o próprio benefício não podia.

Assumir uma dívida, podia.

Que lógica é essa?

Que tipo de sistema dificulta o acesso a um direito, mas facilita o acesso ao endividamento?

No dia 9, voltei novamente ao banco.

Mais uma surpresa.

Disseram que eu precisava registrar uma procuração no INSS.

Fui até o INSS.

Enfrentei mais de uma hora de fila. De novo.

Quando finalmente fui atendida, recebi uma nova exigência: apresentar um atestado médico comprovando que minha mãe não consegue se locomover.

E foi nesse momento que parei para refletir.

Quantos idosos não desistem no meio do caminho?

Quantos não têm um filho, uma filha ou alguém disponível para enfrentar filas, deslocamentos, burocracias e informações desencontradas?

Estamos falando de pessoas que trabalharam a vida inteira, contribuíram para a sociedade e que, justamente quando mais precisam de acolhimento e respeito, encontram obstáculos em cada etapa do processo.

Não estou falando apenas da minha mãe.

Estou falando de milhões de idosos brasileiros.

Pessoas que deveriam ser tratadas com dignidade, mas que muitas vezes são tratadas como um problema administrativo.

O envelhecimento não deveria significar perder autonomia, paciência ou direitos em corredores de repartições e filas intermináveis.

Precisamos discutir com mais seriedade o atendimento ao idoso no Brasil.

Precisamos cobrar mais humanidade dos órgãos públicos, das instituições financeiras e de todos os sistemas que deveriam servir à população.

Porque envelhecer não pode ser uma sentença de burocracia, humilhação e abandono.

E porque ninguém deveria precisar travar uma batalha para acessar um direito que já lhe pertence.

“Você ou alguém da sua família já passou por algo parecido? Conte sua experiência nos comentários. Precisamos dar visibilidade a essa realidade.”

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