
Johannes Doll colaborou com o Coletivo Metamorfose da Vida em vários momentos, desde seu artigo lapidar com sua orientanda Ana Laura G. Espíndola “Amizade entre mulheres na velhice”, no Metamorfose III, aos papos e trocas de ideias, em outros momentos.
Foi diretor da Faculdade de Educação da UFRGS (2009–2012) e docente da área de Didática do Departamento de Ensino e Currículo.
Para nós, Johannes Doll era a grande referência na pesquisa e na formação de gerações com contribuição marcante para os estudos sobre envelhecimento, gerontologia e educação. Seu trabalho teve impacto especial em temas como inclusão digital, educação financeira de pessoas idosas e gerontecnologia, áreas nas quais foi agente de transformação.
Um dia antes de sua morte, mandou um recado para mim, falando que não estava acompanhando o grupo como queria, mas queria me convidar (Adeli Sell) para o Congresso Brasileiro da Gerontecnologia, para falar do impacto das mudanças climáticas para as pessoas idosas. Confirmei e disse que divulgaria o evento. No mesmo dia, ele postou no nosso grupo este recado:
Prezadas e prezados colegas, apesar de não participar ativamente dos debates do grupo, gostei muito da animação e da preocupação com as questões do envelhecimento. Mas, por causa de problemas atuais de saúde, vou me despedir pelo momento, desejando a todas e todos um excelente tempo.
Ângela Gomes falou depois que pretendia ver com ele se precisava de algo, pois ela trabalha no GHC e foi sua orientanda no Mestrado.
Cláudio Pires Ferreira, outro autor nosso, tinha muitas relações com ele por causa do tema do consumo e educação financeira das pessoas idosas.
Para nós que estudamos o envelhecer, que nos debruçamos sobre o Viver com Sabedoria, que tratamos da Finitude, nos tocamos mais que qualquer outra pessoa com sua partida daqui, pois sabemos que com sua fala mansa e seu agir tranquilo, deixará uma lacuna imensa.
No dia de sua morte, Porto Alegre carregou-se de calor e o céu estava pesado. Já no domingo com sua estada, agora, na Montanha do João XXIII, a cidade estava silenciosa, as ruas quase desertas e a aragem que vinha do Guaíba parecia nos indicar caminhos de continuar, de andar, batalhar com vigor, com energias deixadas por ele; pois, a vida é um elo sem fim, termina para um e continua com outros que vão ficando.
Adeli Sell, Ângela Gomes, Cláudio Pires Fereira – pelo Coletivo Metamorfose da Vida.


