
Há “finitudes’ assim no plural.
Aprendi com a Ana Cláudia Quintana Arantes muitas coisas sobre a Finitude.
Tenho lidado bem com a morte de pessoas idosas e outras nem tanto quando acometidas de alguma doença grave.
Mas hoje ao entrar no Instituto do Coração para dar suporte à mãe de uma jovem de pouco mais de 20 anos, que não aguentou um “simples” procedimento de seu coração juvenil, dei-me conta que a sua Finitude era outra.
Não era aquela do tempo transcorrido, dos caminhos tomados pela vida afora. Era um corte mais de cruel. Para ela tão cheia de vida, para a mãe viúva, para a irmã, para os seus.
Ela tinha um problema desde criança me lembro bem e foi vencendo tudo com determinação e paixão pela vida a cada passo.
Uma intercorrência na mesa de procedimentos do InCor a levou.
Para a mãe e para quem falara com ela nos últimos dias isto não poderia ter acontecido, mas aconteceu, findando seu ciclo vital.
Foi a sua Finitude.
Por isso, hoje me convenci que a palavra que designa uma coisa cruel – Finitude – tem plural.
Ela é cruel quando nos leva velhos e vividos. Mas ela é mais cruel quando nos arranca uma vida de uma pessoa jovem.
“Finitudes” esta é a questão. Um duro aprendizado.
Adeli Sell é professor e bacharel em Direito.


